29/04/2017

Substância d’Arte



O que mais aprecio em ti é essa imperturbabilidade feita nem de escárnio nem de narcisismo
...mas de afirmação e de sede da realidade
Hoje celebro-te
...na oscilação dos meus versos e elejo-te gota de luz pura

20/04/2017

De sangue e de gelo


No meu peito, Lúcifer.
Dele, escuso-me de te falar. Dispensa quaisquer apresentações.
Disse-me ele que rejubilação sentiu, enquanto impotente caía em ascensão. Vá-se lá entende-lo!
Os olhos se lhe terão incendiado, enquanto intrépido escutava a melodia triunfante de mil ventos que o não soube deter.

Creio eu portanto, que foi assim que para meu deleite, terá criado o amanhecer no gelo dos meus olhos e com ele, o grito tempestuoso da minha pulsação.


24/03/2017

A difusão sentimental de um sorriso ténue


Um dia perguntaste como se controlam os sentimentos, as emoções – eu limitei-me a responder-te com aquele tão particular sorriso que os lábios me caracterizam na hora de providenciar a resposta mais justa - como se as houvesse.
Pois bem, hoje respondo-te da forma mais justa que consigo no momento, dizendo-te que é muito mais fácil controlar o intelecto que os sentimentos. Francamente, não podia ser de outra forma e, esta que faz a ocasião, apesar de ser a eleita, o estatuto não a torna de maneira alguma apetecível e muito menos desejada. É que, apesar de ser muito mais fácil controlar o intelecto, facto é que controlar seja o que for não é de todo pêra doce.
Relativamente aos sentimentos ou emoções que nos afectam e influenciam a um determinado estado de espirito, o que realmente importa é que nos interroguemos sobre o que verdadeiramente é.
Se uma sombra nos é aprazível, devemos dizer a nós próprios “esta sombra era mesmo o que mais me convinha neste momento”. Quero eu dizer que temos de dar corpo a tudo aquilo que nos toca sem nos tocar, que nos diz sem falar…
O impacto, caso a sombra entretanto desapareça, será menor, muito menos perturbador no nosso estado de consciência, porque sabemos que era afinal uma sombra – uma mera sombra, tal como um pai ou um filho são somente seres humanos.
A grande e real merda é que, como diz um dos meus autores favoritos Sir Francis Bacon: “O intelecto humano não é luz pura”.
Não é obviamente e sinceramente nem estou a ver como poderia ser, tendo em conta que a verdade do Homem se baseia fundamentalmente naquilo que prefere ou lhe dá mais jeito, declinando até à medula da ossaria tudo aquilo que se apresenta como uma dificuldade, avisado que está pela impaciência do acto de pensar.
Opta-se pela puta da superstição em prejuízo dos princípios supremos da própria existência – eis o culto do paradoxo a troco da aceitação do vulgo.
Espero que… tu compreendas um pouco mais porque razões, mesmo que imperceptivelmente, o sentimento se insinua e afecta o intelecto.

23/03/2017

Pentanoite


Hoje comparo-me à própria noite, como se me fosse possível tamanha integridade. Talvez por isto mesmo a sonhe tão insistentemente, ora acordado, ora ausente.
Escusado é contrariar-lhe a posse que tem de mim - ela, mãe, sabe porque sou assim.
Como o principio de qualquer coisa, há quem a procure desde o chão. Há quem a tente tocar com a mão.
Para muitos, o coração escuro do tempo, que os ampara e lhes dá alento.
Noite de insónia… de mil e uma vontades que não calam, que não cessam, sejam fantasias, sejam verdades.
Que o sossego dos meus olhos não acorde, nesta noite que não dorme.

20/03/2017

Lábios de intensão



Eu sonhei lábios de pânico absíntico
Uma infinita vertigem tresloucada vestida de insânia desvairada
Ah foda-se… se sonhei
E enquanto a brisa sentia e o sol engolia
Ao próprio ímpeto murmurava o que queria


E eis que em plena perplexidade
Penso… no que Mourão Ferreira diria

15/03/2017

Kyrie



Hoje a noite está boa para isto.
A música toca e eu já não sei se é a melodia que me embala o pensamento ou se é o que não penso que a faz vibrar.
Não posso deixar também eu de entoar, enquanto sinto este enlevo intimo, tão puro e sublime ao ponto de me esquecer de mim mesmo. E de repente, nada é trágico e sequer eufórico. Tudo é tão tranquilamente divino!

Tu, que me estás a ler… olha-me nos olhos se realmente queres ver.
Não tens sempre de querer para fazer acontecer. Às vezes basta ser.
Às vezes temos de deixar de ser.

Sente comigo este réquiem dominante. Ousa.
Despoja-te dessas vestes litúrgicas que a pele te cobre e precipita-te nua ao abismo da minha penumbra.

Ambos seremos temperatura.

27/02/2017

No meu peito




Apetece-me um pouco de nada
Um par de guitarras numa serenata
Apetece-me deitar o ouvido em ponto morto
Ah doce melancolia…
A ti dedico este espírito absorto

24/02/2017

Somos o TODO



A pergunta ficou no ar, afinal o que somos nós?
A resposta é deveras complexa, no que à sua aceitação diz respeito, mas eis os factos.
Em primeiro lugar há que entender o que não somos, ou seja, a figura material que conhecemos de nós próprios, através do próprio reflexo ao espelho. Não, não é o corpo de cada um que lhe faz ser o que é. O ser não é visível. O ser não tem sexo, idade ou cor.
É comum dizer-se que somos a nossa alma, o nosso espirito, e a mim pouco me importa o que lhe chamam, porque na verdade, todas essas definições são demasiado abstractas.
Nós, humanos, somos aquilo que tudo o resto que vemos e conhecemos é, ou seja, energia frequência e vibração, e tudo isto é informação, assim como toda a informação é energia, e nada é além disto.
Como havia dito anteriormente, não existe espaço vazio. Todo o espaço é ocupado por energia.
Todo o computador ou telemóvel acede a uma rede através dessa informação, informação que ocupa todo o espaço em nosso redor e isto é apenas um exemplo, porque outro bem mais simples é o frio ou o calor que sentimos. Frio e calor, ambos são a mesma coisa, temperatura, temperatura que é aquilo que todos nós somos, energia - informação.
O próprio ar é energia, porque tanto no ar como em tudo, existem moléculas e átomos.
Portanto, nós não somos o nosso corpo. O nosso corpo é apenas o veículo que habitamos e que através dele captamos e descodificamos a frequência da energia que ocupamos no multiverso.
Nada existe separado, como também já afirmei. Assim é fácil entender que somos a energia do todo. Somos o todo
Bem sei que para muitos de vós, esta minha dissertação é de difícil entendimento. Tal se deve à educação/formatação a que foram submetidos desde o vosso nascimento. Ao longo do tempo, aprenderam e interiorizaram, ao ponto de se tornar doutrina, que o que importa é o indivíduo e que todo o indivíduo é único, e isto não podia ser mais falso.
Só o todo é único. Só o todo é verdade. A verdade é feita dessa informação global da qual cada um de nós faz parte. Toda a individualidade por vós considerada corresponde apenas a uma partícula da verdade.
O planeta Terra parece-vos grande, mas a Terra deixa de existir quanto mais se afastarem dela, quanto mais a tentarem observar de um ponto de vista mais amplo e vasto.

A física quântica diz-nos que o observador cria a realidade.