24/03/2017

A difusão sentimental de um sorriso ténue


Um dia perguntaste como se controlam os sentimentos, as emoções – eu limitei-me a responder-te com aquele tão particular sorriso que os lábios me caracterizam na hora de providenciar a resposta mais justa - como se as houvesse.
Pois bem, hoje respondo-te da forma mais justa que consigo no momento, dizendo-te que é muito mais fácil controlar o intelecto que os sentimentos. Francamente, não podia ser de outra forma e, esta que faz a ocasião, apesar de ser a eleita, o estatuto não a torna de maneira alguma apetecível e muito menos desejada. É que, apesar de ser muito mais fácil controlar o intelecto, facto é que controlar seja o que for não é de todo pêra doce.
Relativamente aos sentimentos ou emoções que nos afectam e influenciam a um determinado estado de espirito, o que realmente importa é que nos interroguemos sobre o que verdadeiramente é.
Se uma sombra nos é aprazível, devemos dizer a nós próprios “esta sombra era mesmo o que mais me convinha neste momento”. Quero eu dizer que temos de dar corpo a tudo aquilo que nos toca sem nos tocar, que nos diz sem falar…
O impacto, caso a sombra entretanto desapareça, será menor, muito menos perturbador no nosso estado de consciência, porque sabemos que era afinal uma sombra – uma mera sombra, tal como um pai ou um filho são somente seres humanos.
A grande e real merda é que, como diz um dos meus autores favoritos Sir Francis Bacon: “O intelecto humano não é luz pura”.
Não é obviamente e sinceramente nem estou a ver como poderia ser, tendo em conta que a verdade do Homem se baseia fundamentalmente naquilo que prefere ou lhe dá mais jeito, declinando até à medula da ossaria tudo aquilo que se apresenta como uma dificuldade, avisado que está pela impaciência do acto de pensar.
Opta-se pela puta da superstição em prejuízo dos princípios supremos da própria existência – eis o culto do paradoxo a troco da aceitação do vulgo.
Espero que… tu compreendas um pouco mais porque razões, mesmo que imperceptivelmente, o sentimento se insinua e afecta o intelecto.

23/03/2017

Pentanoite


Hoje comparo-me à própria noite, como se me fosse possível tamanha integridade. Talvez por isto mesmo a sonhe tão insistentemente, ora acordado, ora ausente.
Escusado é contrariar-lhe a posse que tem de mim - ela, mãe, sabe porque sou assim.
Como o principio de qualquer coisa, há quem a procure desde o chão. Há quem a tente tocar com a mão.
Para muitos, o coração escuro do tempo, que os ampara e lhes dá alento.
Noite de insónia… de mil e uma vontades que não calam, que não cessam, sejam fantasias, sejam verdades.
Que o sossego dos meus olhos não acorde, nesta noite que não dorme.

20/03/2017

Lábios de intensão



Eu sonhei lábios de pânico absíntico
Uma infinita vertigem tresloucada vestida de insânia desvairada
Ah foda-se… se sonhei
E enquanto a brisa sentia e o sol engolia
Ao próprio ímpeto murmurava o que queria


E eis que em plena perplexidade
Penso… no que Mourão Ferreira diria

15/03/2017

Kyrie



Hoje a noite está boa para isto.
A música toca e eu já não sei se é a melodia que me embala o pensamento ou se é o que não penso que a faz vibrar.
Não posso deixar também eu de entoar, enquanto sinto este enlevo intimo, tão puro e sublime ao ponto de me esquecer de mim mesmo. E de repente, nada é trágico e sequer eufórico. Tudo é tão tranquilamente divino!

Tu, que me estás a ler… olha-me nos olhos se realmente queres ver.
Não tens sempre de querer para fazer acontecer. Às vezes basta ser.
Às vezes temos de deixar de ser.

Sente comigo este réquiem dominante. Ousa.
Despoja-te dessas vestes litúrgicas que a pele te cobre e precipita-te nua ao abismo da minha penumbra.

Ambos seremos temperatura.

27/02/2017

No meu peito




Apetece-me um pouco de nada
Um par de guitarras numa serenata
Apetece-me deitar o ouvido em ponto morto
Ah doce melancolia…
A ti dedico este espírito absorto

24/02/2017

Somos o TODO



A pergunta ficou no ar, afinal o que somos nós?
A resposta é deveras complexa, no que à sua aceitação diz respeito, mas eis os factos.
Em primeiro lugar há que entender o que não somos, ou seja, a figura material que conhecemos de nós próprios, através do próprio reflexo ao espelho. Não, não é o corpo de cada um que lhe faz ser o que é. O ser não é visível. O ser não tem sexo, idade ou cor.
É comum dizer-se que somos a nossa alma, o nosso espirito, e a mim pouco me importa o que lhe chamam, porque na verdade, todas essas definições são demasiado abstractas.
Nós, humanos, somos aquilo que tudo o resto que vemos e conhecemos é, ou seja, energia frequência e vibração, e tudo isto é informação, assim como toda a informação é energia, e nada é além disto.
Como havia dito anteriormente, não existe espaço vazio. Todo o espaço é ocupado por energia.
Todo o computador ou telemóvel acede a uma rede através dessa informação, informação que ocupa todo o espaço em nosso redor e isto é apenas um exemplo, porque outro bem mais simples é o frio ou o calor que sentimos. Frio e calor, ambos são a mesma coisa, temperatura, temperatura que é aquilo que todos nós somos, energia - informação.
O próprio ar é energia, porque tanto no ar como em tudo, existem moléculas e átomos.
Portanto, nós não somos o nosso corpo. O nosso corpo é apenas o veículo que habitamos e que através dele captamos e descodificamos a frequência da energia que ocupamos no multiverso.
Nada existe separado, como também já afirmei. Assim é fácil entender que somos a energia do todo. Somos o todo
Bem sei que para muitos de vós, esta minha dissertação é de difícil entendimento. Tal se deve à educação/formatação a que foram submetidos desde o vosso nascimento. Ao longo do tempo, aprenderam e interiorizaram, ao ponto de se tornar doutrina, que o que importa é o indivíduo e que todo o indivíduo é único, e isto não podia ser mais falso.
Só o todo é único. Só o todo é verdade. A verdade é feita dessa informação global da qual cada um de nós faz parte. Toda a individualidade por vós considerada corresponde apenas a uma partícula da verdade.
O planeta Terra parece-vos grande, mas a Terra deixa de existir quanto mais se afastarem dela, quanto mais a tentarem observar de um ponto de vista mais amplo e vasto.

A física quântica diz-nos que o observador cria a realidade.

23/02/2017

E se chover



E se chover
Se chover, chove
Se chover, canta
Se cantar, embala
Oxalá chova
Que o seu silêncio venha
E que nada nem ninguém
A detenha

17/02/2017

ILUSÃO II


Lembram-se disto, no filme STAR TREK?


Simplicity is divinity and divinity is simplicity

Pois é... e eu garanto-vos com o pouco dinheiro que tenho no banco que tudo é muito, mas muito mais simples do que aquilo que parece e, acima de tudo, do que aquilo que queremos que seja.
My dear fellows, permitam-me descrever-vos o sorriso filho da puta que costumo produzir nos meus lábios, sempre que vos vejo estoicamente empenhados em enaltecer ou proteger a vossa individualidade, como se cada um de vós, estivesse realmente separado de tudo aquilo que vislumbram além vós.
Para mim, que sou aquilo que cada um de vós é, é aterradoramente overwhelming. Não, não vos vou explicar porquê, porque consigo prever um irritante ranger de dentes em massa, e nós não queremos isso.
Voltemos pois à realidade da individualidade. Podem sorrir… não é por acaso que acabei de ser irónico com realidade da individualidade. Muitos de vós sois (sem saber) praticantes do culto do EU, convencidos que estão de que cada um de vós existe separado de tudo o resto, de mim, do pato Donald da casa branca e até do marciano que está neste momento a cagar no meio da sala de teleportação.
Por exemplo, tu aí… vais na rua, passo ante passo, observas um carro demorado, um contentor do lixo mal amanhado e até um pinheiro despenteado, tudo isso observas com desmedido desinteresse, porque para ti, essas coisas são essas coisas e tu és tu, e nada é mais importante para ti do que tu próprio. Sim irmão, tens todo o direito de querer ser ignorante e até de manifestares orgulho nessa própria ignorância, afinal, a maioria é como tu e, é a maioria que conta - é ela que proporciona doutrina à normalidade. Eu sou tudo menos normal… tenho a mania, dizem.
Podia dar-me para outras coisas, por exemplo… mijar nas costas do marciano que está a cagar no meio da sala. Hum… acho que isto não serve de exemplo, afinal, é algo demasiado normal.
Voltando ao que interessa, nós não estamos separados do que quer que seja. WHAT???
Não, não estamos mesmo. Primeiro, cada um de vós tem de querer perceber aquilo que na verdade é e para isso, tem de recuar no tempo, à altura do primeiro abrir de olhos e lembrar aquilo que vislumbrou.
Provavelmente a maioria não se lembra, e além disto, não o consegue sequer imaginar, mas eu digo-vos que aquilo que todos viram quando abriram pela primeira vez os olhos foi uma sucessão de luz espectral, muito pouco definida e confusa. WHY?
Porque nesse momento o nosso cérebro não está sintonizado com a frequência daquilo que o atinge. É preciso tempo para o cérebro descodificar essa frequência, mais ou menos como aquilo que acontece quando andamos à roda sobre nós próprios ou quando ingerimos uma boa dose de espiritualidade liquida, coisas que tornam o cérebro mais lento na aquisição da frequência.
Mas como vos é difícil recuar no tempo e começar do zero, têm de recorrer ao estudo e investigação da física. Ui… foda-se… que trabalheira não é! Mais vale espojar o cabrão do esqueleto no sofá e ver a puta da novela, a casa dos segredinhos ou qualquer outra merda com o propósito de vos hipnotizar e manter controláveis.
É uma seca, recorrer a esses chatos geniais tais, como Arquimedes, Isaac Newton, Albert Einstein, Nicola Tesla, Stephen Hawking, etc, para de alguma forma entendermos algo sobre nós e a realidade ou para nos proporcionar a partilha de um selo no facebook com uma mensagem iluminada, capaz de nos ofuscar e remeter a um comprometedor silêncio embasbacado, fazendo-nos até esquecer que é graças a essa cambada de chatos que hoje temos laptops e smartphones, entre outras maravilhas que nos conduzem à delícia da preguiça. Só temos de ter dinheiro para os comprar, para nos conceder o estado de updated human.
Vós pensais que são diferentes de um computador. Que são mais que um computador, apenas porque foi o Homem que o criou. Então, quem criou o Homem?
Na verdade, nós somos também um computador, com processador e memória. Tal e qual. E como um computador, temos um circuito interno, que também funciona por estímulos eléctricos. Também nós captamos e descodificamos frequências, da mesma forma que o wireless do nosso smartphone.
A merda é que todos vós pensais que o smartphone acede por exemplo à WEB por arte mágica interna, porque o smartphone é como nós, uma única coisa, separada de todas as outras coisas.
Não existe espaço vazio. WHAT?
Pois… habituaram-se a interpretar de forma preconceptual, e assim, a cidade do Porto é uma coisa e a cidade de Lisboa é outra, por exemplo. No entanto, ambas as coisas estão ligadas por matéria e até por estradas, que vos permite ir de uma à outra de carro.

Tudo é ilusão.

Uma coisa é vermos e interpretarmos Lisboa e Porto no lugar onde estamos agora, outra coisa é ver e interpretar ambas as coisas a partir da Lua, ou a partir de outra galáxia e até de outro universo. Quanto mais nos afastarmos da Terra, mais Lisboa e Porto são a mesma coisa e isto aplica-se a tudo, nós inclusive.
Derramem uma das vossas lágrimas de desespero no oceano… e digam a vós mesmos o que passa a ser essa lágrima. Nenhuma coisa existe separada de outra coisa. Isto, ajuda a percebermos sobre aquilo que somos e sobre aquilo que afinal tudo é.

E é agora, que vos concedo tempo para reflectir, a fim de me responderem à seguinte questão:
O que somos nós?