terça-feira, junho 20

Sede dela


Olhar para ela, contemplá-la, celebrá-la, desejá-la…
É como ter sede e beber água salgada
Não ma mata
Aumenta-ma


O espírito enriquece-se com o que recebe; o coração com o que dá ” – de Victor Hugo

domingo, junho 18

Mais um dia


Mais um dia sem ti
Outro dia cheio dos outros e no tudo deles
Mais um dia de mim naquilo que menos me apetecia
Outro dia… daquilo que não vi
Mais um dia cuja coisa mais importante foi…
Sentir saudades de ti

O Coverdale tem razão…
Quanto mais profundo o amor, mais forte a emoção
E quanto mais forte é o amor, mais profunda a devoção



quinta-feira, junho 15

Vi-te... antes de te saber



Eu vi-lhe os malditos olhos na sua própria brisa fresca e húmida
Vi como os fazia dançar contra o embalo do seu peito morno

Corei…

Num petulante conjuro de estrelas e murmúrios de abandono
O seu sopro cheirei
Do meu coração não mais fui dono


quinta-feira, junho 8

Essência impura


E se alguém te disser que é forte
pergunta-lhe, que motivos o terão levado a procurar essa força
Terá ele orgulho nela
?

terça-feira, junho 6

Substância obscura



Eu tenho a força das forças, esta potência desmedida de triunfo – a coragem de ser só.
Eu herdei, sem saber de quem, o alto valor das vastas perspectivas e com elas, conquistei o direito de ser tortuosamente livre. Nada neste mundo, nesta humanidade e muito menos nesta vida, me impedirá de despontar numa imparável glória, de ser o mais impiedoso amanhecer e tomar nestes braços de solidão, o destino do meu próprio devir. De mim… erguer-se-á o mais colossal dos promontórios, que cruel, rasgará sem apelo nem contemplação a densa noite escura.

domingo, junho 4

Animus

Estarão os deuses, sejam lá eles de onde forem, a tomar decisões superiores por mim? Poderei refugiar-me neste pensamento, de modo a aceitar algo que não entendo ou, em vez disto, cagar bem d’alto para todo e qualquer tipo de omnipotência e agarrar com as minhas próprias mãos cada bago desta exaltação?

Ai foda-se… que nada nem ninguém se meta entre.

Corvo


Eu sou corvo – o mais aveludado dos utopistas
Se a insânia das minhas palavras coincidirem com a ilusão do seu olhar
Eu beberei num trago o sangue da sua fantasia
E se a mágoa trémula dos seus dedos for prodígio do meu desejo
Eu enterrar-me-ei na memória do seu beijo


sábado, junho 3

Onde o meu coração está



Louvados sejam aqueles que pouco ou nada sentem, que para estes o empíreo permanecerá escancaradamente aberto
A um diabo qualquer eu rogo que me devolva ao Inferno, para me juntar à tal, cujo fulgor da lua lhe faz cintilar os sombrios cabelos, enquanto uma tribo de corvos dançam excitados para ela