terça-feira, setembro 26

Aquilo que guarda tudo o que perdemos



Não estou a meditar. Neste momento não preciso afastar-me seja de que convicção for
Não existe aqui qualquer tipo de zelo mental, muito pelo contrário
Nesta ocasião, dedico-me apenas a escutar a melodia de um amor livre e por conseguinte, um amor para a vida inteira

Escutai portanto, esta generosa partilha desse elogio, dessa verdade maior que todas as nossas juntas
Não vos irei falar de amor
Que o amor seja aquilo que cada um de vós queira, porque o amor não quer e jamais fingirá

Só o amor vale a pena
Porque tudo é uma coisa e o amor é outra


segunda-feira, setembro 25

Silhuetas em delírio!



Imagina um silêncio tão profundo que te permita sentir como as sombras se enleiam numa dança caótica, plena de excesso
Imagina-lhe… o cálido frenesim em cada batida do teu coração, como se te devorasse toda por dentro, como se ecoasse no percurso interminável das tuas veias

Agora imagina-me a contorcer-te o corpo, com o insano toque dos meus dedos - entoa-me essa dor da qual tanta falta sentes, no mais letal dos teus beijos

Não imagines…


segunda-feira, setembro 18

Aquilo que não tem fim (2ª parte)



Permitam-me nesta instância, chocar-vos um pouquinho, tendo até em alguma consideração aquilo que anteriormente escrevi.
Não… estava a brincar.
Não sou eu realmente quem vos vai chocar, mas sim vós próprios.
Antes de mais, uma pergunta, principalmente para aqueles que defendem mal e parcamente a teoria de que tudo tem um fim:
Sabeis o que nunca acaba?

Para saber a resposta, clicar AQUI.


domingo, setembro 17

Balões há muitos…



Quem não gostava afinal de balões?

Eu ainda me lembro, de quando éramos todos garotos e perguntávamos - olha, gostas de mim? Para depois dizermos com a convicção que nos era possível naquela altura - se gostares de mim, eu também gosto de ti.
Éramos imaturos e ridículos até, não éramos?

Sim, éramos. Mas continuámos sempre a ser. Nunca o deixaremos de ser.
Qual é realmente a diferença para os dias de hoje?

Hoje, ilustres e peritos que somos, dizemos – olha, se eu te amo, tu também tens de me amar.
Pois é… tudo começa e acaba dentro de cada um de nós, nesta curiosa medida, por exemplo, se o outro nos ama, é porque só podia mesmo amar, somos tão perfeitos que outra coisa não lhe era possível e nós aproveitamos a deixa e passamos a amar também, mas só depois de termos a certeza que somos amados.
A merda é quando algo corre mal e o outro deixa de nos amar. Nós continuamos a ser maravilhosos, os melhores até, por isto, nunca somos nós que erramos ou falhamos, não, é exactamente o outro que está errado, porque não tem qualquer motivo plausível para nos deixar de amar, ou passar a amar outro qualquer, mais que a nós.

Ou seja, o amor do outro por nós é na verdade uma vontade nossa. Única e exclusivamente.
Em matéria de amor ou paixão, somos tão iluminados e esclarecidos que a outra pessoa não tem direito à sua própria vontade. Só existe a nossa, ou, a nossa é e será sempre suprema, quando comparada com outra qualquer.

Mas isto não é o fim do mundo, porque dentro de cada um de nós, sabe-se lá aonde, há a certeza que a nossa vontade coincide com a vontade de Deus.
Até ao dia em que descobrimos que Deus também não nos ama.


sábado, setembro 16

Da vida que se veste à que se despe



Alguma vez pensaste, no que fica daquilo que nunca fica?
Gostavas que eu te dissesse o que acho?

Tantas perguntas, não é… acho que serei sempre a tal criança para sempre, é o que é.
Tempo houve para me entristecer, quando dei conta de que as pessoas haviam perdido a faculdade de audição. Quando percebi que poucos eram já aqueles que ainda queriam ouvir uma voz diferente, por muito pouco diferente que fosse da sua.
Deixei de me entristecer. Afinal… o que é que eu tinha a ver com isso! Nada? Tudo?
Percebi e decidi que não era triste que me devia sentir, mas sim, fazer o impossível se necessário, para não ficar surdo, com o excesso de ruído à minha volta, até sentir esse estrépito como mera retórica que, é e que sempre foi.

Ainda assim, nunca mais esqueci aquele rapaz da Rua Augusta.

Eu costumo falar em natureza humana, como se realmente houvesse mais que uma natureza. Não há. Nós, humanos, não temos natureza. Somos a natureza, a única que conhecemos e da qual se pode falar.
Mas, e se alguém me vislumbrar a conversar com um fungo ou a tocar com intimidade numa pedra polida ao sol, o que irá pensar de mim?
Serei eu o arrogante egoísta que fica uma das vinte e quatro horas do dia, a olhar em perfeita letargia para um curso de água que corre como pode, por entre sulcos na terra que, a devora também como pode?

Pouco interessa aquilo que podem pensar de mim. Interessa-me mais aceitar que tudo não passa de um frívolo ímpeto de presença, e foi com um determinado filósofo do séc. XIX, que aprendi que o egoísmo é por natureza ilimitado.

É de Fernando Pessoa, o que passo a citar: “O homem é um animal irracional, exactamente como os outros. A única diferença é que os outros são animais irracionais simples, o homem é um animal irracional complexo”

Voltando à pergunta no início - o que fica daquilo que nunca fica?


quinta-feira, setembro 14

Na abundância de ser


Venha o que vier – era o que eu costumava ouvir, mas não era o que eu dizia. Em vez disso, dizia que nada viria. E não é que não vinha!
Não, eu não tinha razão. Isto é apenas uma história mal contada, nem sei porque a conto agora.
Sabes?

Sempre ouvi falar nos anos perdidos, os tais que me tentavam convencer ser aqueles lá atrás no tempo. Mas eu recusava-me a entender um tempo com parte de trás e parte da frente. Para mim, os anos perdidos eram aqueles que estavam por vir, fosse de onde fosse.
As pessoas tendem a conotar negativamente tudo aquilo que entendem como perdido, eu não.
Viesse lá o que viesse, pouco me importava, era mais do mesmo, completamente dispensável, evitável até, e desenganem-se todos aqueles que pensam que isto me doía ou agredia, fosse de que forma fosse.
Nunca me doeu estar só.

Viesse lá o que viesse, mesmo que completamente despida e transparente, não passaria de uma bizarria vulgar que apenas sabia fazer de conta - que eu interessaria para alguma coisa ou que duraria mais que o próximo fechar de olhos. Tudo espremido resultaria no mesmo adeus precoce de sempre.

O meu alívio estava no nada – viesse o que quisesse.
Vinha mas nunca ficava.


quarta-feira, setembro 13

Manias...



Olha, lembras-te de falarmos sobre a opinião dos outros… pois bem. Estive a pensar e acho que finalmente reparei naquilo que há a reparar.
Sabemos que cada um de nós se enaltece acima de qualquer outro, porém e bizarramente, é na opinião dos outros sobre nós que está lacrada a nossa felicidade. A opinião deles chega a ser a nossa maior preocupação na vida, e muitas vezes, finalmente o nosso mais aterrador pesadelo.
Irónico, não achas?

É caso para dizer que a opinião alheia é a fonte secreta e milagrosa d’onde brota essa merda a que chamam de amor-próprio. Bom… percebe-se afinal e desde já que de próprio tem coisa nenhuma.
Eu prometi-te que te faria rir, por isso… queres saber a conclusão a que chego, tendo em conta que nunca ninguém me explicou porque caralho isto é assim, e acredito que a ti também não. Por isso, chama-me o que quiseres, desde que sorrias, mas isto acontece e é assim porque sabe-se lá desde quando, se tornou meramente uma mania generalizada, quiçá até inata, fruto dessa nossa racionalidade que tanto nos deslumbra, confunde e anula.

Adoramos ver tudo ao contrário. Somos adoradores da realidade enviesada.


A poesia da inevitabilidade



Olha, não tenhas medo, a sério.
Nada se estraga, tudo se transforma.

Todos haveremos de optar por falar aquilo que sempre se falou e todos deixamos para trás aquilo que escolhemos não falar, mais ou menos como se fossem folhas de Outono caídas no passeio e que mais tarde ou mais cedo acabam por desaparecer.
Alegria é tristeza – nenhuma folha permanece, mas haverão sempre folhas para cair e isto chega-nos para perdermos a noção de valor – ninguém precisa de se colocar no lugar do outro, como tanto se ouve apregoar por essas calçadas afora.

Como tanto eu próprio gosto de apregoar a mim mesmo, porque é minha a vontade que para mim tenho.


terça-feira, setembro 12

O interesse do nada...


Eu prometo que um dia te faço rir.
Sabes o que uma vez ouvi dizer sobre aqueles que prometem? Isso mesmo.

À parte disto, tenho que fazer saber que não temo magoar seja quem for, e não é porque não falo, mas sim, porque verbalizar tudo aquilo que sinto, seria igual àquilo que também todos sentem, mas que não acrescentam ao que falam.

Podias tu perguntar-me, se alguma vez pensei que verbalizar é materializar e que, assim sendo, materializando aquilo que sei, podia inspirá-los, ou até impulsioná-los a mim próprio.
Sim, já o pensei. E digo-te eu que, jamais convivi com a ignorância de admitir que os outros é que estão certos, ou que viro simplesmente as costas, mais ou menos como se me matasse, fazendo o outro acreditar que é dono da razão e que merece muito mais que eu.

Parece que te ouço. Dizendo-me que me foi concedida a oportunidade de viver e inspirar e que de nenhuma das duas devo abdicar. Sorrio-te.
Nunca te disse que não te admirava. Admiro-te sim, por tudo o que me dizes, mas também por tudo aquilo que sei que não dizes. Às vezes parece mesmo que sabes que eu sei, outras vezes imploras em segredo para que saiba.
Eu sei.

Será tudo isto um enorme faz de conta?
Fazemos de conta quando não falamos? Talvez. Oxalá. Lembremo-nos apenas, então, daquilo que falamos.
Eu conheço a força da palavra. Eu celebro-a com devoção. Respeito-a.
Mas também sei sobre os medos que a tornam ausente. Sei quando deseja, mas também quando dispensa.

Não tenhas MEDO. Se reparares… nós tanto receamos o que achamos que é mau como o que achamos que é bom, principalmente porque acreditamos que tudo o que é bom acaba depressa. Então, devíamos apenas recear o que é bom!

Olha bem para isto. Ainda achas que não devia ser calado?

Título precisa-se


Antes de mais, obrigado. Agradeço-te sentidamente, por semeares fé num homem que nunca a cultivou. Essa semente única, a que mais abunda em ti, chega-me. Obrigado.

Foda-se, posso não escutar daqui o teu coração mas fica sabendo que o meu grita pelos dois.
Vou ter saudades tuas.

Vamos então à escrita, que eu, plos vistos, escrevo mais do que falo. Mas, porque raio serei eu tão calado! Terá alguma coisa a ver com a fé que não tenho? Afinal, como falar enquanto não chega a nossa vez? E como poderemos saber realmente que é a nossa vez?
Serei eu reservado porque prefiro que ouçam as vozes e as coisas dos outros?
Mais do que parecer bem da minha parte, é óbvio que sim. Eu sozinho, sou tão interessante e cativante quanto qualquer coisa ao longe, tão longe que não pode sequer ser vista. Os outros são tudo.
Saber que sou nada dá-me paz. Alegra-me. Permite-me respirar, mas mais importante que isto, possibilita-me saber que estou a respirar.

Não se chama a isto coragem, no máximo, é a parte de uma estupidez, e se todos nós somos uma única coisa, então a estupidez também é só uma. Tudo é estúpido e humano.
Há que o suportar, sem lamentar o colapso das nossas expectativas – eis uma submissão no mínimo justa!

Quem disse que eu alguma vez quis ser tudo. Quem se atreve?
É aqui que começa a comédia, mesmo que já não me divirta como era habitual, ou seja, ninguém se atreve. Ninguém pode afirmar que alguma vez eu quis ser tudo, mas esse mesmo ninguém queixa-se que falo pouco.
Sobra-me então o cabrão do sorriso – o tal de que toda a gente desconfia. Sim, e com razão. Não se deve confiar em quem não fala, porque se não fala, esconde, mesmo que esconda muito menos do que o tal ninguém que só fala até certo ponto. Mas fala. Faz mais. E mais é bom, mesmo que doa.
Já dizia o Murakami “A dor é inevitável. O sofrimento é opcional”. Pois é… podemos partilhar tudo e mais alguma coisa, mas não sofrimento.
Bom, que se foda – afinal, sofrer é só uma vez, o resto é que é para toda a vida.
Os imbecis da filosofia sempre nos tentaram convencer que de tudo temos apenas as aparências, não é?

Ri-te caralho. Senão eu continuo…