segunda-feira, outubro 6

A prodigalidade de um monólogo


Até que ponto acredito ainda no meu próprio pensamento, aquele exercício de crer que sendo o melhor para mim, também será para os outros. Genial, não achas rapazinho!
Que puta de estupidez… que deliciosa e avassaladora imbecilidade.
Mas eu não tenho por hábito expulsar aquilo que penso (mesmo que de vez em quando o despreze) só porque é o meu pensamento. Não, muito pelo contrário.
Continuarei a indomável missão de reduzir a razão a NADA e, clamar aos sete ventos que este NADA é tudo.
O que achas tu desta humorada inflexibilidade?
Sabe bem, envergonharmo-nos, recebendo dos outros as ideias que rejeitamos só porque o sentimos a toda a hora.
Foi Delacroix que afirmou que é por ter espírito que se aborrece e eu, apesar de não sentir vontade alguma de esconjurar a existência, tendo porém ainda dúvidas sobre o porquê de a ter – porquê e para quê, sou forçado a sorrir em tom de solidariedade para com o pintor. Forçado, porque o meu sorriso é totalmente independente dos estados d’alma e não será este aborrecimento adamastor que o condicionará.
Quanto tempo falta até a raiva, pergunto-me. Terei já chegado sem ter reparado?!
Se estás fodido com algo extrínseco, não é o algo que te perturba mas sim a cabrão do juízo que fazes dele… ou já te esqueceste?
Olha, vai-te foder.

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