sexta-feira, janeiro 2

Homem afinal


Bem-aventurado homem que a paixão deslinda, porque a porta lhe abriu, quando tudo o prendia e asfixiava de forma desejada. Quando toda a incumbência entendida sacra lhe toldava a mente e assim a própria existência.
Pobre homem afinal, que experimenta esse verme que o toma sem pedir licença e lhe corrói as entranhas, devorando-lhe toda a essência vital.
Astuto homem que percebe que a paixão começa como sua escrava para depressa o tiranizar.
Nobre pequeno homem que não escolhe uma de tantas paixões, mas em vez disso, seja em que dia for da sua exiguidade, aceita que não há paixão como aquela que nasce dentro de si mesmo, simplesmente porque força nenhuma, alguma vez terá para a repelir e muito menos negar.
Essa é a paixão de vontade suprema, com um imensurável poder de arrebatamento que, quer traga consigo a mais densa tenebrura, quer essa envolva com resplandecente glória cintilante, que destinada está a contribuir misteriosamente para a conclusão desse homem tal.

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