sexta-feira, junho 3

Algo forte (fortinho)


Hoje decidi escrever com a intenção de te distrair da minha insânia, com a ajuda da minha insânia.
já estás a sorrir como eu estou a tremeluzir?
Então, como calcar a puta da insânia com a insânia, pergunto-me a mim mesmo e, sendo justo realmente, devo dizer que a solução é deveras mais que evidente, basta como resposta este tempestuoso e desavergonhado enleio comigo mesmo, mas fingindo que não conheço esse mesmo, mais ou menos como uma facadinha no matrimónio.
Ainda não estás a sorrir?
Mas queres mais não queres?
Foda-se… tinha uma frase comprida na cabeça como sequência (não confundir com consequência) mas o raio da melodia subtraiu-me. Bom… não interessa.
Música é luxuria e eu confesso-me seu discípulo, quase escravo. Quase.
Muitos afirmam a luxuria como um pecado, uma puta maldita que deve arder como a ruiva Joana ardeu. Morrer para mais tarde tudo merecer.
Por instantes pensaste que me referia à música, não foi?
Opá, a sério que ainda não estás a sorrir! Olha que eu continuo.
Este tipo de advertência ainda sem pintelho, remete-me para a ameaça que é a luxuria, ou será a música? Agora baralhei-me.
Será que a música também destrói todo o tipo de legitimidade e fidelidade e… todas essas merdiologias análogas? Por falar nisto, terá a analogia um esfíncter?
Tem de ter, e é tudo o que eu digo.
Não, não é. Isso é que era bom.
A luxuria é o orgulho e a pompa da carne, daquilo que pode afinal queimar enquanto arde e, se ouvisses agora o que estou a ouvir, mais que saber, sentirias realmente na derme o que ora me escorre na tola.
Inevitável é deixar de mencionar os juramentos e as renúncias de tudo aquilo que é desprovido de sangue e, assim sendo, não me leves a mal se te disser com muito pouco jeitinho que, a alma é tão pálida quanto insipida é a promessa. Prefiro a proposta, confessamente, mesmo que seja apenas para sorrir, sem que antes a antecipe e até precipite ao diafragma de mil um dentes (ou serão lâminas?) da minha insânia.
Ai… como eu lhe desenlaçava o cintilante nó de cetim que com malícia prendeu em torno do ventre.

Imagem retirada da web
 

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