quinta-feira, novembro 3

Penumbra


Depois de uma tarde obstinadamente lenta, decidi procurar por estradas e ruelas algo que me fizesse apressar o olhar. Encontrei, encostei e parei, na berma de uma noite extensa.
Obstinada era a decisão de abrir a porta e sair. Concedi-lhe por isso um breve calcorrear de pedras frias, numa distensão consideravelmente amena.
Voltei a deter-me, no ápice de um virar de olhos… e é nesse preciso momento que dou conta que tudo é tão apressado e lento ao mesmo tempo.
Eis que a penumbra se abre desafiante nesse instante! Uma luz proibida?
Talvez um capricho d’alma em voz diluída. Sim… tão errante quanto despida.
Era uma vulva deitada, uma boca de incenso.
Na verdade, era um tudo ou nada...
Amordaçado no furor de um lenço.

Fotografia da minha autoria

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