sexta-feira, fevereiro 17

ILUSÃO II


Lembram-se disto, no filme STAR TREK?


Simplicity is divinity and divinity is simplicity

Pois é... e eu garanto-vos com o pouco dinheiro que tenho no banco que tudo é muito, mas muito mais simples do que aquilo que parece e, acima de tudo, do que aquilo que queremos que seja.
My dear fellows, permitam-me descrever-vos o sorriso filho da puta que costumo produzir nos meus lábios, sempre que vos vejo estoicamente empenhados em enaltecer ou proteger a vossa individualidade, como se cada um de vós, estivesse realmente separado de tudo aquilo que vislumbram além vós.
Para mim, que sou aquilo que cada um de vós é, é aterradoramente overwhelming. Não, não vos vou explicar porquê, porque consigo prever um irritante ranger de dentes em massa, e nós não queremos isso.
Voltemos pois à realidade da individualidade. Podem sorrir… não é por acaso que acabei de ser irónico com realidade da individualidade. Muitos de vós sois (sem saber) praticantes do culto do EU, convencidos que estão de que cada um de vós existe separado de tudo o resto, de mim, do pato Donald da casa branca e até do marciano que está neste momento a cagar no meio da sala de teleportação.
Por exemplo, tu aí… vais na rua, passo ante passo, observas um carro demorado, um contentor do lixo mal amanhado e até um pinheiro despenteado, tudo isso observas com desmedido desinteresse, porque para ti, essas coisas são essas coisas e tu és tu, e nada é mais importante para ti do que tu próprio. Sim irmão, tens todo o direito de querer ser ignorante e até de manifestares orgulho nessa própria ignorância, afinal, a maioria é como tu e, é a maioria que conta - é ela que proporciona doutrina à normalidade. Eu sou tudo menos normal… tenho a mania, dizem.
Podia dar-me para outras coisas, por exemplo… mijar nas costas do marciano que está a cagar no meio da sala. Hum… acho que isto não serve de exemplo, afinal, é algo demasiado normal.
Voltando ao que interessa, nós não estamos separados do que quer que seja. WHAT???
Não, não estamos mesmo. Primeiro, cada um de vós tem de querer perceber aquilo que na verdade é e para isso, tem de recuar no tempo, à altura do primeiro abrir de olhos e lembrar aquilo que vislumbrou.
Provavelmente a maioria não se lembra, e além disto, não o consegue sequer imaginar, mas eu digo-vos que aquilo que todos viram quando abriram pela primeira vez os olhos foi uma sucessão de luz espectral, muito pouco definida e confusa. WHY?
Porque nesse momento o nosso cérebro não está sintonizado com a frequência daquilo que o atinge. É preciso tempo para o cérebro descodificar essa frequência, mais ou menos como aquilo que acontece quando andamos à roda sobre nós próprios ou quando ingerimos uma boa dose de espiritualidade liquida, coisas que tornam o cérebro mais lento na aquisição da frequência.
Mas como vos é difícil recuar no tempo e começar do zero, têm de recorrer ao estudo e investigação da física. Ui… foda-se… que trabalheira não é! Mais vale espojar o cabrão do esqueleto no sofá e ver a puta da novela, a casa dos segredinhos ou qualquer outra merda com o propósito de vos hipnotizar e manter controláveis.
É uma seca, recorrer a esses chatos geniais tais, como Arquimedes, Isaac Newton, Albert Einstein, Nicola Tesla, Stephen Hawking, etc, para de alguma forma entendermos algo sobre nós e a realidade ou para nos proporcionar a partilha de um selo no facebook com uma mensagem iluminada, capaz de nos ofuscar e remeter a um comprometedor silêncio embasbacado, fazendo-nos até esquecer que é graças a essa cambada de chatos que hoje temos laptops e smartphones, entre outras maravilhas que nos conduzem à delícia da preguiça. Só temos de ter dinheiro para os comprar, para nos conceder o estado de updated human.
Vós pensais que são diferentes de um computador. Que são mais que um computador, apenas porque foi o Homem que o criou. Então, quem criou o Homem?
Na verdade, nós somos também um computador, com processador e memória. Tal e qual. E como um computador, temos um circuito interno, que também funciona por estímulos eléctricos. Também nós captamos e descodificamos frequências, da mesma forma que o wireless do nosso smartphone.
A merda é que todos vós pensais que o smartphone acede por exemplo à WEB por arte mágica interna, porque o smartphone é como nós, uma única coisa, separada de todas as outras coisas.
Não existe espaço vazio. WHAT?
Pois… habituaram-se a interpretar de forma preconceptual, e assim, a cidade do Porto é uma coisa e a cidade de Lisboa é outra, por exemplo. No entanto, ambas as coisas estão ligadas por matéria e até por estradas, que vos permite ir de uma à outra de carro.

Tudo é ilusão.

Uma coisa é vermos e interpretarmos Lisboa e Porto no lugar onde estamos agora, outra coisa é ver e interpretar ambas as coisas a partir da Lua, ou a partir de outra galáxia e até de outro universo. Quanto mais nos afastarmos da Terra, mais Lisboa e Porto são a mesma coisa e isto aplica-se a tudo, nós inclusive.
Derramem uma das vossas lágrimas de desespero no oceano… e digam a vós mesmos o que passa a ser essa lágrima. Nenhuma coisa existe separada de outra coisa. Isto, ajuda a percebermos sobre aquilo que somos e sobre aquilo que afinal tudo é.

E é agora, que vos concedo tempo para reflectir, a fim de me responderem à seguinte questão:
O que somos nós?

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