quinta-feira, maio 25

A história que o tempo escreve



A boca das sombras fala por todos – Eis o cúmulo insustentável da sua glória anónima.
Contamos a nós mesmos as histórias que nos fazem sentir aquele momento de inexpugnável existência, crónicas oriundas de um vórtice branco, âmago comum, em que a palavra sem sentido faz todo o sentido – vibração insondável.
Se eu fosse um locutor e se todos eles juntos fossem um oceano, quem poderia descrever entretanto, o que o oceano faria, caso o narrador se calasse?
Quão imponente será este lugar, esta rocha primordial sobre a qual me insisto solenemente (ainda) de pé, convicto de não ter de saber porque aqui estou?
Quem acredita em mim?
Quem ousa?
Aquele que se atrever, saberá sem o saber que não sou a figura humana no topo da montanha. Provavelmente, pressentirá algo, alguma coisa no cenário… quiçá um acaso em forma de sulcos e fendas profundas.
Quem me vê? Quem me ouve?
Quem o fizer, mais tarde ou mais cedo, deparar-se-á com o silvo gutural de ventos que se engolfam alheios.
Brisas portadoras de mensagens distantes que, à sua passagem, ressoam no ouvido de tal forma que, por momentos, nos fazem crer ali uma voz reconhecer.

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