quarta-feira, maio 3

A luz de um sorriso

Aqui estou, na meia-luz do costume, acompanhado das habituais parceiras no crime – duas luzes, entenda-se.
Tão só, quanto gosto e preciso sentir-me. Que d’outra forma me habituei a escrever?!
Ainda agora constatava que nenhum dia será um dia se… for só para mim. Afinal, quem o prende, eu… tu?
O dia passa e dele vai ficando o que não fica.
É noite, novamente. Como uma pausa entre dois poemas que se pretendem complementar – de mãos nas mãos… sobre os joelhos.
São estas pausas que tanto me fascinam… que me permitem a mais esta hipotipose, através da qual murmuro ou… me atrevo a soprar sobre a futilidade que tudo isto realmente é, tão inútil quanto seria enumerar as horas e os minutos – porque o dia flúi, aceso e escuro, alheio às nossas vidas, tão abstracto sobre si mesmo quanto eu próprio ambiciono ser.
Invejo-a e aprendo-a – a perpetuidade no seu espaço de ausência.
O tempo prossegue na direcção de si próprio, cujas sequências delineiam o logro do zero absoluto.
Obrigado - por me proporcionares mais um ápice intemporal, através do qual senti a finitude… deste e de cada um dos momentos, num enlace indiscernível ao qual jamais alguém poderá arrancar pedaço que seja.
…e sorrio, porque sinto a ausência como uma serena presença.

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