domingo, maio 14

O frenético delírio do meu silêncio


Eu queria atordoar-te numa das minhas veias latejantes
Queria mostrar-te que não há esforço no meu sossego
Eu queria erguer-te numa coluna arrogante de fogo
Aqui… na minha garganta.
Cobiço-te o odor
Na nudez húmida de cada uma destas palavras
Desejo-te salivante no tronco do meu vocábulo
Tu
Fende-me o peito desfeito
Eu queria cada fragmento do teu hálito
Prostrado no meu ouvido
Queria o teu vento absoluto
Aqui… nas costuras destas asas
Eu tenho na língua a amplitude do teu peito vasto
Tenho o sopro dos teus dedos
…e o suor da tua febre
Eu sou Mercúrio
No timbre grave da montanha
Sou a ingenuidade no curso da sua consanguinidade
Sou a pedra
…insignificância sólida
Monumento erguido
…ao silêncio subtraído
Eu sou o poema
O eco babilónico
Que te faz tremer a arcada
Eu sou…
O pássaro negro que de negro te veste as ruínas

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