quarta-feira, julho 19

Coisas da alma



“A carne é cinza, a alma é chama” escreveu Victor Hugo, o tal da obra Les Miserábles.
Pois é Vitinho, a alma o fogo não destrói.
Permite-me falar-te da minha, mesmo que pouco ou nada te interesse, afinal, bem sei que te parece outra, separada da tua.
A minha, portanto, envolve-me a carne - esta matéria que sempre foi pó. A minha é uma constante exalação – um hálito irrequieto, de génese dorida e delirante. Tão sensível que do Universo lhe sente a puta da vibração.

Permite-me neste entretanto perguntar-te: porquê a súbita afeição ou aversão entre duas almas, que se tocam muito antes da matéria comunicar?

Eu, nem sempre sei explicar tudo o que sinto e não me aflijo. Neste momento interessa-me mais sentir a alma como algo exterior, uma espécie de luz ou fluido que este corpo em secreta decomposição envolve.
A alma é visível e todos nós a vemos, quando queremos.

Outra pergunta: Será o amor a impregnação desses fluidos, dessa névoa delicada, moldando uma só alma?

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