domingo, outubro 1

A primeira palavra

Hoje fizeste-me olhar para trás, curiosamente para onde não estavas. Fizeste-me celebrar o refúgio que encontrei, nas consecutivas páginas descobertas nos livros que me ampararam quando nada mais havia. A não ser, quase seguramente, um decoro sobrante.
Quantas vezes ouvi dizer que os actos valem mais que as palavras e aposto que tu também, já o Saint-Exupéry o defendia numa altura de estúpida valentia. Enfim.
Eu procurei a palavra… uma que estivesse no seu tempo certo e que, com sorte, o seu eco perdurasse dentro de mim, preenchendo-me.

Eis-me resgatado, no império das palavras.

Por fim, a derrota do eterno silêncio, se é que o posso chamar assim. Nada tive realmente que não merecesse, só tinha de me acostumar.
Nelas, as palavras, encontrei o melhor dos caminhos. Um que não me faria sentir mais perdido do que aquilo que comigo tinha nascido. A palavra tornou-se tudo, até a tão desejada ruína da minha obstinação. Cada ideia minha sucumbiu com cada frase inesperada e eu, de principezinho passei a opaca silhueta.

As palavras lembraram-me que tinha de expirar, para um dia voltar a pensar, a pensar do início.

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