Quem não gostava afinal de balões?
Eu ainda me lembro, de quando éramos todos garotos e perguntávamos - olha, gostas de mim? Para depois dizermos com a convicção que nos era possível naquela altura - se gostares de mim, eu também gosto de ti.
Éramos imaturos e ridículos até, não éramos?
Sim, éramos. Mas continuámos sempre a ser. Nunca o deixaremos de ser.
Qual é realmente a diferença para os dias de hoje?
Hoje, ilustres e peritos que somos, dizemos – olha, se eu te amo, tu também tens de me amar.
Pois é… tudo começa e acaba dentro de cada um de nós, nesta curiosa medida, por exemplo, se o outro nos ama, é porque só podia mesmo amar, somos tão perfeitos que outra coisa não lhe era possível e nós aproveitamos a deixa e passamos a amar também, mas só depois de termos a certeza que somos amados.
A merda é quando algo corre mal e o outro deixa de nos amar. Nós continuamos a ser maravilhosos, os melhores até, por isto, nunca somos nós que erramos ou falhamos, não, é exactamente o outro que está errado, porque não tem qualquer motivo plausível para nos deixar de amar, ou passar a amar outro qualquer, mais que a nós.
Ou seja, o amor do outro por nós é na verdade uma vontade nossa. Única e exclusivamente.
Em matéria de amor ou paixão, somos tão iluminados e esclarecidos que a outra pessoa não tem direito à sua própria vontade. Só existe a nossa, ou, a nossa é e será sempre suprema, quando comparada com outra qualquer.
Mas isto não é o fim do mundo, porque dentro de cada um de nós, sabe-se lá aonde, há a certeza que a nossa vontade coincide com a vontade de Deus.
Até ao dia em que descobrimos que Deus também não nos ama.
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