Venha o que vier – era o que eu costumava ouvir, mas não era o que eu dizia. Em vez disso, dizia que nada viria. E não é que não vinha!
Não, eu não tinha razão. Isto é apenas uma história mal contada, nem sei porque a conto agora.
Sabes?
Sempre ouvi falar nos anos perdidos, os tais que me tentavam convencer ser aqueles lá atrás no tempo. Mas eu recusava-me a entender um tempo com parte de trás e parte da frente. Para mim, os anos perdidos eram aqueles que estavam por vir, fosse de onde fosse.
As pessoas tendem a conotar negativamente tudo aquilo que entendem como perdido, eu não.
Viesse lá o que viesse, pouco me importava, era mais do mesmo, completamente dispensável, evitável até, e desenganem-se todos aqueles que pensam que isto me doía ou agredia, fosse de que forma fosse.
Nunca me doeu estar só.
Nunca me doeu estar só.
Viesse lá o que viesse, mesmo que completamente despida e transparente, não passaria de uma bizarria vulgar que apenas sabia fazer de conta - que eu interessaria para alguma coisa ou que duraria mais que o próximo fechar de olhos. Tudo espremido resultaria no mesmo adeus precoce de sempre.
O meu alívio estava no nada – viesse o que quisesse.
Vinha mas nunca ficava.
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