“Ser ou não ser” já dizia Shakespeare, numa tentativa rebuscada e atabalhoada de dissecar o que na verdade nos faz ser.
Pessoalmente pergunto se realmente somos alguma coisa pr’além daquilo que, depois de projectado nos outros - essa figura de nós próprios a nós regressa, como um boomerang. Afinal o que somos absolutamente, na privacidade de cada um de nós mesmos e, o que somos às vistas dos demais.
O que será realmente fundamental, em tudo aquilo que pensamos ou fazemos, onde é que Deus aparece nisto.
Poderá alguém dizer-me que não vivemos simplesmente à superfície de nós, frenéticos respirando pelo snorkel da vida imediata, flutuando no embalo das mil e uma futilidades com as quais enchemos os nosso dias.
Nós somos algo que em nós espera. Algo que anseia qualquer coisa… uma palavra, som ou mera sensação, capazes de nos encandear as pupilas e envolver-nos de tal maneira que, Deus nos surge na forma pura de verdade. E então, deixamos de ser uma vertigem para sermos aquilo que sempre fomos… o todo.
Deus é um princípio inextinguível. Ele é a própria vida. É portanto cada um de nós em vez da sua mera expressão, como tantos decidem acreditar.
Parecerei certamente um adepto do panteísmo, mas confesso que nem tanto. Quando eu digo que sou Deus, não pretendo dizer ou refutar que Deus é um corpo dentro do meu próprio corpo, não, nem pensar.
O meu, o nosso ser é uma dimensão própria, tão relativa e tão real quanto o tempo e o espaço.
Por isto mesmo eu pergunto: qual é o absoluto da dimensão. Qual é o absoluto do tempo e do espaço.
Infinito - é o absoluto do espaço.
Eterno - é o absoluto do tempo.
Deus - é o absoluto da dimensão.
Eu sou uma partícula da criação. Deus é a criação. Eu sou Deus.
Então… qual é o absoluto do ser?

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