Antes de mais, obrigado. Agradeço-te sentidamente, por semeares fé num homem que nunca a cultivou. Essa semente única, a que mais abunda em ti, chega-me. Obrigado.
Foda-se, posso não escutar daqui o teu coração mas fica sabendo que o meu grita pelos dois.
Vou ter saudades tuas.
Vamos então à escrita, que eu, plos vistos, escrevo mais do que falo. Mas, porque raio serei eu tão calado! Terá alguma coisa a ver com a fé que não tenho? Afinal, como falar enquanto não chega a nossa vez? E como poderemos saber realmente que é a nossa vez?
Serei eu reservado porque prefiro que ouçam as vozes e as coisas dos outros?
Mais do que parecer bem da minha parte, é óbvio que sim. Eu sozinho, sou tão interessante e cativante quanto qualquer coisa ao longe, tão longe que não pode sequer ser vista. Os outros são tudo.
Saber que sou nada dá-me paz. Alegra-me. Permite-me respirar, mas mais importante que isto, possibilita-me saber que estou a respirar.
Não se chama a isto coragem, no máximo, é a parte de uma estupidez, e se todos nós somos uma única coisa, então a estupidez também é só uma. Tudo é estúpido e humano.
Há que o suportar, sem lamentar o colapso das nossas expectativas – eis uma submissão no mínimo justa!
Quem disse que eu alguma vez quis ser tudo. Quem se atreve?
É aqui que começa a comédia, mesmo que já não me divirta como era habitual, ou seja, ninguém se atreve. Ninguém pode afirmar que alguma vez eu quis ser tudo, mas esse mesmo ninguém queixa-se que falo pouco.
Sobra-me então o cabrão do sorriso – o tal de que toda a gente desconfia. Sim, e com razão. Não se deve confiar em quem não fala, porque se não fala, esconde, mesmo que esconda muito menos do que o tal ninguém que só fala até certo ponto. Mas fala. Faz mais. E mais é bom, mesmo que doa.
Já dizia o Murakami “A dor é inevitável. O sofrimento é opcional”. Pois é… podemos partilhar tudo e mais alguma coisa, mas não sofrimento.
Bom, que se foda – afinal, sofrer é só uma vez, o resto é que é para toda a vida.
Os imbecis da filosofia sempre nos tentaram convencer que de tudo temos apenas as aparências, não é?
Ri-te caralho. Senão eu continuo…
Sem comentários:
Enviar um comentário