quarta-feira, maio 24

Leva-me daqui (2ª parte)


Mas os caminhos para qualquer coisa raramente me conduzem, muito pelo contrário.
Progressivamente, no laconismo que calcorreia cada passo que dou, a concubina palavra se desvanece, juntamente com a memória ambiental que a favorecia.
Dissipo-me em fragmentos (assim me determino no processo dissidente em que me filio).
Não há aqui ninguém… convencer não se adequa à ocupação de uma casa qualquer.
Sei lá eu o que sinto, quando nem sei onde começou e, o limbo parece ser sempre onde me repito.
Eu sou um tímido composto intermitente - nada sei e sinto-me esse mesmo nada, de forma antagónica [complicadamente].
Cada vez sei mais sobre cada vez menos!
Neste momento, na escritura desta íntima ejaculação, a qual ao Universo certamente passará desentendida, porque afinal, astro algum me conhece (nem podia), dou por mim inextrincavelmente a erguer um fogo tarso, na crença de que nada nem ninguém me pode excluir seja do que for, porque gosto de me evidenciar na arrogância das cinzas, que no sopro do vento se libertam e objectam.
Eu sou tão violento quando me lamento, como se a verdade universal pudesse realmente existir pr’além do credo de uma conclusão divina.
É entendível, certamente, que troquei a feminilidade antes escorrida, por palavras que, agora todas juntas combinam a irredutibilidade da sua própria ilusão - compensação subserviente.

Mas porque caralho tenho eu de me justificar a mim mesmo?

É curiosa, esta sensação de complexidade frívola que me invade instantaneamente!
Curiosa porque se revela quase contraditória.
Falha-me a moral na convicção, uma persuasão afinal, que necessito para poder pintar os contornos dos abismos destas palavras.
Também eu me vejo a acolher o pensamento na mente, um suor salgado incolor na carmínea que se há-de ocultar, como o mesmo sol extraordinário que todos os dias se despede vagarosamente, esperançado que alguém se lembre… que alguém lhe diga “até já”.

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